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Caminhar Abençoador

Tive uma avaria no PC, daí o atraso com este post.

A Ordem Moderna dos Essénios é uma ordem iniciática que está a ser revivida por John Michael Greer, e cujas publicações originais podem ser consultadas aqui. Nas lições da ordem, vais aprender principalmente sobre técnicas de cura e desenvolvimento pessoal.

Este conjunto de traduções é parte de um esforço que estou a fazer para trazer para o Português uma quantidade de conhecimento que considero importante mas que não está disponível na nossa lingua.

Sem mais delongas, segue a primeira das lições. Nesta é dado o contexto histórico e explicado o que é a Ordem Modernda dos Essénios e qual o seu foco.

Segunda Lição

A licão desta semana versa sobre a primeira das práticas espirituais Essénias básica, o Caminhar Abençoador. Vais demorar cerca de seis meses de prática diária para conseguires completar todos os estágios da aprendizagem do Caminhar Abençoador. Não tens que completar todos os estágios para passares para o próximo estágio da OME – começa, e vê onde ele te leva.

A lição da próxima semana versa sobre a segunda prática espiritual Essénia básica, a meditação da Respiração de Cura. O Caminhar Abençoador e a Respiração de cura podem ser aprendidos juntos.

Caminhar Abençoador Essénio

O Caminhar Abençoador Essénio é uma ferramenta de cura maravilhosa. Nós curamo-nos a nós mesmos à medida que vamos praticando esta técnica, e enviamos energia curadora aos outros que podem usar para se curar a si mesmos.

Recomendamos que aprendas esta técnica passo a passo. Pratica cada passo até que ele se torne parte de ti, e aí segue para o passo seguinte. Vinte e um dias é o período de tempo tradicional para gastar em cada passo, assumindo que o Caminhar Abençoador é feito uma vez por dia. Este é um bom período de tempo para gastar em cada passo, porque me 21 dias nós construímos um hábito positivo, e removemos um hábito negativo antigo que já não nos sirva.

Caminhar Abençoador – Primeiro Passo

Veste-te com roupa confortável. Escolhe um sítio onde vás encontrar pessoas. Escolhe uma quantidade de tempo para a tua caminhada entre alguns minutos a uma hora ou mais. Mantém-te confortável. Escolhe uma altura do dia para ires ara esse sítio, e começa a caminha à velocidade que escolheres.

Há medida que caminha, presta atenção às pessoas que entram no teu campo de visão. Sorri. Envia-lhes uma mensagem telepática, uma bênção. Inventa a tua própria bênção. Envia essa bênção para a pessoa em que reparaste naquele momento. Por exemplo, podes dizer na quietude do interior da tua mente algo assim:

  1. Ofereço-te a minha bênção
  2. Que as bênçãos te possam encontrar
  3. Que a tua vida possa ser mais fácil
  4. Que Deus te abençoe
  5. Que a abundância flua na tua direção
  6. Que a alegria e felicidade estejam contigo
  7. Que a paz esteja contigo

Olha para uma pessoa. Sorri. Envia-lhes uma bênção sentida telepaticamente. Usa as tuas próprias palavras. Sorri. Continua a caminhar e a abençoar aqueles em que entram no teu campo visual. Faz isto durante tanto tempo quanto queiras, e com a frequência que queiras.

Lembra-te que não estás a impor uma bênção nas pessoas que encontras. Estás a oferecer a bênção. Eles têm o direito a recusa-la. Há pessoas que não querem as tuas bênçãos. Há pessoas que não querem abundância, alegria, felicidade ou paz. Podes ver isto na maneira como eles evitam estas coisas, e persistem em formas de agir que os ajudam a evitar estas coisas. Não tens o direito a força-los a aceitar uma bênção que eles não queiram. Mantem isto em mente. As palavras “Ofereço-te” no primeiro exemplo, e a palavra “que” nos outros, tem a intenção de transmitir isto.

Com práticas, vais desenvolver uma aura de bênçãos à tua volta, e essa bênção vai radiar para fora, para todos os que encontrares e que tenham vontade de a receber.

Caminhar Abençoador – Segundo Passo

Há medida que continuas a caminhas confortavelmente, a enviar bênçãos telepáticas sentidas àqueles que entram no teu campo visual, fica consciente dos animais e insetos que também entrem no teu campo visual. Estas criaturas são filhas do divino, tal como nós somos. Elas fizeram a decisão de vir a este mundo neste momento por razões que podemos nunca vir a entender.

Mas, seja qual for a razão, nós e eles somos todos parte do Divino. A diferença entre nós e eles é que tempos o poder para os destruir. Sempre que fazemos isso sem uma boa razão, destruímos uma pequena parte de nós mesmos. Somos todos irmãos e irmãs, e o Divino ama a cada um de nós incondicionalmente. Pondera nestas coisas à medida que continuas o teu Caminhar Abençoador Essénio.

Envia também uma bênção aos animais e insectos. Eles merecem uma vida mais fácil, com mais amor e consideração, tal como os humanos. Sorri para ele, e envia-lhes uma bênção telepática sentida, à medida que continuas a enviar bênçãos a todos os seres humanos que tu vês.

Com práticas, vais desenvolver uma aura de bênçãos à tua volta, e vai enviar essa bênção essa reza, telepaticamente a todas as pessoas e animais que tu vejas, ouças ou sintas.

Caminhar Abençoador – Terceiro Passo

Há medida que continuas a caminhas confortavelmente, a enviar às pessoas e animais que encontras ao longo do teu caminho, começa a tomar consciência das plantas, árvores e flores que vês.

Estes seres vivos tomaram a decisão consciente de estar aqui, nesta realidade física, tal como nós fizemos. E tal como eles não conhecem o nosso propósito, também o propósito deles é desconhecido para nós. E tal como o caos por vezes perturba a nossa vida, também as vidas deles são por vezes difíceis.  

Há estudos que mostram que rezar, e as bênçãos são uma forma de rezar, ajuda pessoas, animais e plantas a curar-se mais depressa do que quando não têm ninguém que reze por elas. Então, à medida que vais vendo as flores, plantas e árvores no teu Caminhar Abençoador, envia-lhes também uma bênção telepática sentida.

Depois pondera nisto. Há estudos que mostram que as pessoas se curam mais completamente, mais rápido quando estão na presença de plantas e animais. Será possível que todas estas plantas e animais nos estejam a enviar uma bênção e a rezar por nós? Será possível que estas plantas e animais saibam que somos todos irmãos e irmãs? Que estamos todos aqui nesta vida para nos ajudarmos uns aos outros?

Pondera nestas coisas enquanto continuas a enviar bênçãos a todas as plantas, animais e humanos que venham até à tua presença no teu Caminhar Abençoador Essénio. Com prática, tu vais desenvolver uma aura abençoadora à tua volta, e enviar essa bênção, essa reza, telepaticamente às pessoas, animais e plantas que tu vejas, oiças ou sintas.

Caminhar Abençoador – Quarto Passo

À medida que continua a andar confortavelmente, abençoando as pessoas, plantas e animais que encontras, permite-te tomar consciência das pedras, terra, edifícios, estrada e outros objetos. Todas estas coisas são tanto parte do divino, como tu e eu.

As coisas não parecem ter a bagagem emocional que as plantas, animais e humanos têm. As coisas não parecem ser afetadas por emoções, no entanto parece que as armazenam. As nossas bênçãos não parecem curar as coisas do mesmo modo que as preces ajudam as plantas, animais e humanos a curar-se. Mas se acreditarmos nesta aparência, estamos enganados. As nossas bênçãos ajudam tudo na criação a Curar-se a si mesmo. 

À medida que notas as coisas na tua vida, envia-lhes uma bênção telepática sentida. Ao longo de várias semanas, observa como é que os sentimentos dessa coisa ou desse local muda, a forma como a vibração nesse sítio é mais convidativa. Parece que ao abençoarmos as coisas na nossa vida, essas coisas nos enviam uma bênção a nós e aos outros.

Repara por ti próprio. Com prática, vais desenvolver uma aura à tua volta e enviar essa bênção, essa prece, telepaticamente, a tudo e toda a gente que vejas, oiças ou sintas.  

Caminhar Abençoador – Continuação

Há mais três passos para serem aprendidos no Caminhar Abençoador Essénio. Nós recomendamos que primeiro tu domines completamente os quatro primeiros passos. Usa algum do tempo após os 21 dias que gastaste no 4ª passo a rever o material que já estudaste, para garantir que aprendeste tudo nele. Pratica até que eles se tornem parte de que tu és. Depois, continua para os próximos três passos. Quando souberes que estás pronto, por favor procede.

Caminhar Abençoador – Quinto Passo

À medida que continuas a sorrir e a enviar uma bênção telepática sentida às pessoas, animais, plantas e coisas das quais te tornaste consciente durante o teu Caminhar Abençoador, olha para dentro de ti. Estas caminhadas foram uma bênção para ti? Estás mais feliz? Sentes-te melhor em relação a ti mesmo?

Há uma Lei Universal fundamental a manifestar-se aqui. O que tu dás, tu recebes. Algumas pessoas chamam-lhe a Regra de Ouro. Mas seja qual for o nome, a regra funciona na mesma. Quando tu envias as bênçãos para tudo e todos, tu vais ser abençoado, a tua vida vai ser mais fácil e tu vais ser mais feliz e cheio e alegria mais vezes.

É assim que as coisas funcionam.

Um dos princípios básicos do universo é que há uma causa para tudo. O plano divino inclui todas as coisas, todas as plantas todos os animais e toos os seres humanos na criação. Há um propósito para tudo e todos, para todas as coisas. Todos nós temos um propósito.

Os Essénios geralmente acreditavam que o nosso propósito básico é aprender a amar mais e mais. Quanto mais amamos, mais somos amados. Quanto mais amamos, mais perto estamos do Divino que ama tudo. Quanto mais amamos, mais fácil o nosso caminho fica. O caminho daqueles que nos rodeiam também ficam mais fáceis.

À medida que continuas o teu Caminhar Abençoador Essénio, por favor pondera nestas coisas até teres uma compreensão profunda sobre como a tua ida está a mudar e a melhorar à medida que amas mais e mais.  

Caminhar Abençoador – Sexto Passo

À medida que continuas a sorrir e a enviar uma bênção telepática sentida às pessoas, animais, plantas e coisas das quais reparas durante o teu Caminhar Abençoador, muda a tua forma de pensar.

Em vez de fazeres estas coisas só durante o teu Caminhar Abençoador, fá-las em qualquer momento. Podes sorrir e enviar uma bênção telepática sentida a qualquer coisa  e a qualquer pessoa a qualquer momento. Podes mudar gradualmente a tua forma de pensar, ou então podes mudar simplesmente.

Este processo de começar de forma pequena e de ir adicionando mias e mais coisas, ou expandindo para mais e mais partes do teu dia chama-se “ficas estabelecido”. Quando este processo se torna parte de ti, da tua rotina diária, das tuas atividades do dia a dia, diz-se que estás “estabelecido” nesta prática. O mesmo processo pode ser usado para ficar estabelecido em oração, contemplação ou meditação.

Caminhar Abençoador – Sétimo Passo

À medida que continuas a sorrir e a enviar uma bênção telepática sentida às pessoas, animais, plantas e coisas das quais reparas durante o teu Caminhar Abençoador, muda a forma como te comportas.

Em vez de pensar em ficar estabelecido em abençoar tudo e todos, simplesmente fá-lo. Faz disso um hábito. Nem precisas de pensar, fá-lo simplesmente. Sorri, e envia telepaticamente uma bênção a tudo e todos o tempo todo.

Em vez de pensarem em ficar estabelecido em oração, contemplação ou meditação, simplesmente fá-lo. Faz disso um hábito. Nem precisas de pensar, fá-lo simplesmente. Comunica com o Divino sobre fazer a vida mais fácil para tudo e todos (oração). Pondera as possibilidades da tua vida, as qualidades do divino e de tudo neste mundo (contempla). Medita o tempo todo, e faz o que tens a fazer ao mesmo tempo.


É preciso muito tempo e prática para acabar o conjunto completo de sete passos para ficar estabelecido no Caminhar Abençoador Essénio. Mas não precisas de completar a sequência completa para procederes par o próximo estágio do teu treino Essénio. Depois de teres feito o Caminhar Abençoador Essénio uma parte da tua vida, e estejas a começar os sete passos mencionados cima podes proceder para a segunda técnica de Candidato, a Respiração de Cura Essénia. 

Como são vividos os valores no Yoga?

Primeiro dentro

Por norma, os valores são encarados como um código de conduta, como algo que se manifesta na nossa relação com o mundo. Eles dão forma, sim, mas só se aplica com a nossa relação com os demais.

É particularmente comum ver isto com valores relacionados com o serviço ou com o trabalho. Há pessoas que servem os outros completamente, ou trabalham de forma incrivelmente intensa, mas fazem-no de uma forma que os anula completamente. Nada podia estar mais longe da forma como os valores são vividos no Yoga.

Nesta tradição, os valores são sempre vividos de dentro para fora. E isso resolve a maior parte da tensão que é criada pela adoção de um sistema de valores. Normalmente, esta tensão é criada no momento da adoção de um sistema porque se está a tentar mostrar para fora uma coisa que não é verdadeira internamente. Até que ponto posso ser realmente generoso com os outros, se não o sou comigo?

Então, esta é a chave dos valores no Yoga: primeiro dentro. O nosso objetivo, o nosso foco nesta tradição é o desenvolvimento pessoal. É o Ser e não o Parecer. Então, primeiro dentro. Se quero ser menos violento, primeiro tenho que deixar de ser violento comigo mesmo. Se quero ser mais verdadeiro, então tenho que começar por ser honesto comigo mesmo. Não serve de nada aparentar uma coisa para fora, anular-me para ser algo que não sou, espartilhado por um conjunto de valores que aplico em todas as relações, exceto na com o meu íntimo. Isso só leva à tensão, à anulação pessoal e ao ressentimento para com o mundo e eventual abandono dos valores professados.

Há um exemplo claro deste fenómeno da igreja católica. É suposto sermos Bons (forma de agir para com o mundo) e conscientes de que façamos o que fizermos, somos pecadores (por minha culpa, minha tão grande culpa, não é?). O resultado é visível no arquétipo da velhinha azeda, que vai à igreja, dá o seu donativo e assim que sai da casa do senhor junta-se com as amigas para falar mal de todas as outras pessoas. O valor “sou pecadora” foi de tal modo internalizado, que ela já só consegue ver o outro através dessa lente. O ser Boa perdeu-se pelo caminho. O valor interno é vivido de forma intensa, e o valor externo foi abandonado.

No Yoga, para evitar esta armadilha, os valores aplicam-se primeiro dentro (e sei que me estou a repetir. Mas isto é aquilo que realmente interessa, a lição importante deste texto). Se tirares a violência de dentro de ti, também vai sair das tuas relações. Se passares a ser verdadeiro contigo mesmo, também o serás para com os outros. Ao aplicares os valores ao teu interior, por uma questão de congruência, eles vão inevitavelmente manifestar-se à tua volta.

É como a semente que cresce debaixo do chão. É preciso brotar, criar raízes, crescer onde ninguém vê o que se passa. Mas quando isso acontece, então a árvore cresce, enorme e forte, da pequena semente. E quanto mais ela cresce, mais fundo vão as raízes.

Viveres os teus valores dentro vai permitir-te que eles se manifestem fora. E manifestar os teus valores fora vai-te permitir chegar mais fundo à aplicação deles dentro de ti. Mas lembra-te, primeiro dentro.

Na Prática

Nestas semanas, vamos também ter sempre um exercício, uma pergunta ou um desafio para casa, para levares o trabalho mais fundo.

Pergunta:  

Quais os teus três valores mais importantes. Eles são vividos com tanta intensidade dentro de ti como no mundo em redor?

Desafio:  
  1. Fecha os olhos, respira e imagina, como seria a tua experiência de vida se vivesses um dos valores do exercício anterior de forma intensa, mas virada para o teu interior. O que mudava na tua vida? Demora o tempo que precisares neste exercício.
  2. Durante esta semana, experimenta a tornar essa visão realidade e a viver esse valor para dentro, com a mesma intensidade que o vives para fora. Nota como te sentes. Fica mais fácil ser congruente com ele?

Outros artigos nesta série:

  • 5 minutos para falar dos Valores

Ordem Moderna dos Essénios 1

A Ordem Moderna dos Essénios é uma ordem iniciática que está a ser revivida por John Michael Greer, e cujas publicações originais podem ser consultadas aqui. Nas lições da ordem, vais aprender principalmente sobre técnicas de cura e desenvolvimento pessoal.

Este conjunto de traduções é parte de um esforço que estou a fazer para trazer para o Português uma quantidade de conhecimento que considero importante mas que não está disponível na nossa lingua.

Sem mais delongas, segue a primeira das lições. Nesta é dado o contexto histórico e explicado o que é a Ordem Modernda dos Essénios e qual o seu foco.

Considerações iniciais

  1. Os Essénios originais (pronuncia-se essÉnios) eram um secto Judaico, que estava ativo na época de Jesus de Nazaré. Sabemos algumas coisas sobre eles, vindas em primeiro lugar de autores Gregos e Romanos que escreveram comentários sobre eles, e em segundo lugar a partir dos Pergaminhos do Mar Morto, que vieram de uma biblioteca de uma das suas comunidades, e que foram guardados numa gruta por uma questão de segurança, durante uma das guerras entre Romanos e Judeus. Que nunca ninguém tenha regressado para os vir buscar tem certas implicações negras as quais não vamos explorar aqui. É possível que outras comunidades Essénias tenham sobrevivido até mais tarde, mas não há provas que nenhuma delas tenha durado para além da queda do mundo antigo.
  2. Há muitas ordens, igrejas e tradições essénias no mundo moderno (O logo acima é de uma das outras, que floresceu à cerca de um século.). Entre elas, basicamente não concordam em nada. O material ensinado pela Ordem Moderna dos Essénios não está tanto quanto sei, presente em nenhuma das outras, embora deva ser compatível com qualquer uma delas. Também é compatível com muitas outras coisas!
  3. O texto abaixo descreve um conjunto de três sintonizações. Eu recebi todo o treino e conhecimento necessário para conferir estes pessoalmente ou à distância, e quando chegarmos a um ponto em que estes possam ser conferidos, farei as preparações necessárias para o fazer. Não vai haver nenhum encargo para as sintonizações. Quero que este material entre em circulação, para que possa ter uma possibilidade de sobreviver.

Com isto em mente, vamos passar às lições introdutórias.

A Ordem Moderna dos Essénios

A Ordem Moderna dos Essénios (OME) foi fundada em 1948 pelo Reverendo Matthew William Shaw, um ministro Universalista, que na altura vivia e ensinava na Pensilvania. Os seus estudos de misticismo, cura espiritual e origens Cristãs levaram-no à convicção que a sua igreja precisava de algo como a antiga ordem Essénia, para aqueles membros que queriam aprender e praticar cura espiritual. Quando ele e dois outros ministros deixaram a Igreja Universalista em 1952, para fundar uma nova igreja, a Igreja Gnóstica Universal (IGU), ele levou a OME, e esta tornou-se a modalidade de cura da IGU. Um dos estudantes do Rev. Shaw foi John Gilbert, que me apresentou os ensinamentos Essénios e me conferiu as sintonizações entre 2004 e 2008

Os ensinamentos Essénios incluem práticas de relaxamento, respiração, meditação e benção, assim como dois métodos de cura espiritual. O primeiro e mais importante dos métodos de cura ensinado pela Ordem é simplesmente chamado nestes ensinamentos de “Cura Essénia”. Nalguns aspetos, é similar ao Reiki, embora tenha a sua forma específica de curar; nele direciona-se um tipo específico de energia de cura espiritual através dos centros das palmas das mãos para abençoar, purificar e curar a si mesmo ou a outra pessoa. Eu não consegui encontrar nenhuma outra versão deste sistema anterior à fundação da OME, e parece provável que tenha sido criada por ou revelada ao Rev. Shawn. As três sintonizações Essénias, que estão descritas abaixo estão focadas neste aspeto do trabalho de cura Essénio.

O segundo tipo de cura espiritual é reflexologia, também conhecido por terapia de zona. Ele é um Sistema de massagem suave das mãos e dos pés que tem benef´ciios ao nível da cura. Ela é praticada deste tempos ancestrais, no Egipto, China, Japão e India, mas foi trazuzido para um formato ocidental em 1913 por dois médicos, Dr. William Fitzgerald and Dr. Edwin Bowers. Os ensinamentos de reflexologia incluídos no Sistema essénio não têm como objetivo fazer de ti um reflexologista profissional — isso requer treino extensivo, sob a orientação de um professor competente, e inclui uma enorme quantidade de informação que não está incluída nestas lições. Os métodos de reflexologia Essénia são muito mais fáceis de aprender e de usar do que os praticados por reflexologistas profissionais. Foram desenhados para o reflexologista Essénio usar em si mesmo, e para ensinar aos outros a suar em si mesmos. Para além dos seus efeitos na saúde, eles ajudam a limpar e equilibrar os canais de energia espiritual que a cura Essénia utiliza.

Estes dois métodos, tal como as outras práticas descritas acima, são ensinados através de lições escritas e prática pessoa. Também tenho os ficheiros áudio em que o John Gilbert ensina os níveis básicos do treino, e estes vão ser disponibilizados para os estudantes ouvirem ou fazerem o download. As técnicas de cura Essénia podem ser feitas por qualquer um, quer tenham ou não recebido as sintonizações, no entanto, receber as sintonizações acelera de forma considerável o processo de desenvolver a capacidade de praticar cura espiritual.

Há três sintonizações que são dadas aos estudante — Sintonização de Aprendiz Essénio, Curandeiro Essénio e Mestre Essénio. Estas sintonizações podem ser dadas pessoalmente ou à distância, tal como o método de cura Essénio pode ser usado tanto na presença da pessoa a ser curada, ou à distância. Todas as três sintonizações precisam de trabalho preparatório específico da parte de quem vai receber a sintonização, e depois é necessário continuar com o trabalho depois da sintonização ter sido recebida, para estabilizar e desenvolver os efeitos desta.

Um estudante dos escritos Essénicos que tenha recebido todas as três sintonizações e praticou o metido de cura espiritual regularmente é elegível para se tornar um Mestre-Professor Essénio e receber instruções completas sobre como conferir as sintonizações aos seus próprios estudantes. Para se tornar um Mestre-Professor também é necessário completar as Lições Gnósticas, que conferem as ordens menores da Igreja Gnóstica Universal. Pode ser últim mencionar que a IGU não define qual a divindade ou divindades que um membro, leigo ou od clérigo, deve reverenciar; uma parte central da teologia da IGU é o ensinamento que o Divino se revela de forma diferente a pessoas diferentes. O John Gilbert era um cristão esotérico, mas ele acolhia na IGU e na Ordem Moderna dos Essénios Druidas, Pagãos, Judeus, Budistas, Induistas, e seguidores de várias tradições religiosas Nativo Americanas, entre outras.

Desde a sua fundação por Matthew Shaw, até ter sido inativada em 2012, a Ordem Moderna dos Essénios era uma organização com o oficiante chefe, cujo título era Abade (Abbot). Eu decidi, no entanto, reviver a Ordem como uma tradição em vez de uma organização. No futuro, cada Mestre-Professor Essénio vai estar livre para ensinar e fazer sintonizações do modo que entender, muito da mesma forma que os professores de Reiki fazem atualmente.

A lição que se segue era usada para apresentar os ensinamentos Essénios a estudantes iniciantes nos tempos de John Gilbert. Embora não esteja assinada, muito provavelmente foi escrita por John.

Lição introdutória

A Ordem Moderna dos Essénios é uma ordem de cura e ensinamento dedicada a ensinar as antigas técnicas de cura Essénias. Acreditamos que estas têm cerca de cinco mil anos. Também acreditamos que estas eram as técnicas utilizadas pelos metres Jesus e Maria madalena, que acreditamos terem sido Essénios.

As nossas técnicas de curas estão disponíveis para todos aqueles que procuram apoio a curar-se a si mesmos ou aos outros. A primeira técnica de cura que aprendemos enquanto Essénios é o Caminhar Abençoador. Usa esta técnica para te ajudar a curar a ti e aos outros.

A segunda técnicas que ensinamos é a Respiração de Cura Essénia. Prática diária com a Respiração de Cura Essénia vai-te ajudar a curar-te a ti mesmo e aos outros. Mais do que isso, vai-te ajudar a encontrar o teu caminho espiritual, comungar com os teus guias espirituais, professores e o Divino.

Há um total de três sintonizações na nossa Ordem. Toda a gente começa como Candidato, par se tornar Curador Aprendiz. Enquanto candidato vais aprender duas técnicas antiquíssimas e poderosas, para te ajudar a curar a ti mesmo e aos outros. Os mistérios que permitem a estas técnicas funcionar de forma tão profunda para ajudar as pessoas a curar-se e a transformar-se nas pessoas que querem ser, são muito antigos, e mais fáceis de aprender do que a maioria das pessoas poderia acreditar.

A energia de cura Essénia é feminina na sua natureza. É chamada de Energia Sofia ou Energia Madalena. Esta energia cura de um modo feminino, chamando o amor incondicional do divino, que cura todas as coisas, para a pessoa que está a ser curada. O amor incondicional do Divino realmente cura tudo. As técnicas de cura Essénias ensinam-nos como usar essa energia para ajudar outras pessoas a curar-se a si mesmas. O trabalho de todos os curadores Essénios é curar-se a si mesmos, e ajudar as outras pessoas a curar-se a si próprias.

A filosofia dos Essénios modernos é focar-se nas coisas boas da vida, e dar graças por elas. Esta concentração nas coisas boas da via eleva-nos. Agradecer pelas coisas boas também nos eleva. Quanto mais nos elevamos a nós mesmos, mais podemos ajudar os outros a fazer o mesmo. O Caminhar Abençoador Essénio ensina-nos o modo de nos tornarmos um centro de influência positive no mundo. Caminha pelo teu ser físico, mental, emocional e espiritual. Caminha pelo benefício de todas as coisas.

Depois de teres aprendido o Caminhar Abençoador Essénio, está na altura de começar a aprender o que consideramos ser a nossa técnica de cura fundamental, a Respiração de Cura Essénia. Nós usamos esta técnica para nos curar a nós mesmos, encontrar e seguir o nosso caminho espiritual único, comunicar com o nosso anjo da guarda, guias e professores espirituais e para dar mais poder às nossas capacidades de cura para ajudar os outros. Ao fazer esta meditação antes de fazeres um Caminhar Abençoador, vais notar um aumento na energia que flui através de ti. Também vais notar que o teu terceiro olho começa a abrir mais e mais à medida que continuas a usar estas duas técnicas em conjunto

Acreditamos que toda a gente tem a capacidade de se cuar a si mesmos, e ajudar outros a curarem-se utilizando as técnicas de cura Essénias. Nós usamos esta técnicas hoje em dia para ajudar qualquer um que peça ajuda a curar-se a si mesmos.

Há um total de cinco graus Essénios:

  • 0º – Candidato Essénio
  • 1º Aprendiz Essénio
  • 2º Curador Essénio
  • 3º Mestre Essénio
  • 4º Mestre -Professor Essénio

O Caminhar Abençoador e a Respiração de Cura Essénia são as técnicas dadas aos candidatos. Depois de as aprenderes e passares para o grau de aprendiz, vais aprender mais.


A lição seguinte não foi escrita pelo John, mas faz um sumário dos pontos que ela tinha sempre o cuidado de partilhar nos seus ensinamentos:

Sobre a cura Espiritual

A discução de cura nesta lição e posteriors deve sempre ser interpretada Segundo a seguinte regra:

A Ordem Moderna dos Essénios ensina cura espiritual como parte de uma prática religiosa. Não ensina nenhuma modalidade médica. Nenhum iniciado da ordem, exceto um que tenha adquirido o direito legal para o fazer nalgum outro contexto, está autorizado a diagnosticar, tratar ou prescrever tratamentos para nenhuma condição médica.  

Há duas razões para esta regra. A primeira é que o treino Essénio está de facto orientado para a espiritualidade, e não para a medicina. Aprender como diagnosticar doenças de forma precisa, e trata-as de forma eficaz requer anos de estudo sob a direção de professores competentes. Não pode ser aprendida num curso relativamente breve, tal como este. A cura espiritual é um assunto completamente diferente, visto que não envolve diagnóstico ou tratamento de condições médicas. Em vez disso, canaliza a Energia de cura divina para uma pessoa que necessite, e o Divino e não o curador espiritual, dirige a energia de modo a beneficiar a pessoa em questão.

A segunda razão é que em muitos países hoje em dia, praticar medicina sem uma licença é um crime punível com encarceramento, e qualquer pessoa que diga ser capaz de diagnosticar ou tratar condições médicas sem ter as credenciais legais para o fazer pode ser preso, julgado e mandado para a prisão por o fazer, que o faça ou não a troco de dinheiro.  Podemos, com toda a razoabilidade, objetar perante estas leis, mas enquanto elas não forem anuladas, a Ordem Moderna dos Essénios não recomenda, e não pode recomendar que estas sejam quebradas.

Os métodos de cura da Ordem Moderna dos Essénios estão desenhados para serem usados por praticantes sem treino médico extensivo. O seu foco é direcionar a energia de cura Divina para ajudar os indivíduos a curar-se a si mesmos. A sua intenção é curar problema espirituais, e não providenciar tratamentos médicos.

Será que a cura espiritual pode levar à cura física? Claro que sim. Milhares de estudos controlados já exploraram os efeitos nefastos do stress, tensão, ansiedade e estados emocionais negativos na saúde física. A cura espiritual pode ajudar os indivíduos a resolver o seu stress, tensão, ansiedade e estados emocionais negativos, e assim levar à cura física. O efeito placebo também é uma potente ferramenta de cura os estudos mostram que o efeito placebo pode ter resultados melhores a resolver certas doenças do que o tratamento com fármacos. A ciência da psico-neuro-imonulogia que explora a forma como estados mentais e emocionais afetam o sistema imunitário através da alteração de níveis hormonais e influências no sistema nervoso autónomo também mostraram que as práticas espirituais podem ter um efeito significativo na saúde.

Nada neste curso deve alguma vez ser usado para defender que a cura Essénia ou qualquer outra coisa ensinada neste curso é um tratamento médico. Nem te permite dizer que, enquanto curador Essénio, tu podes diagnosticar, tratar, prevenir ou curar qualquer condição médica. O que tu podes fazer é providenciar apoio espiritual para a pessoa que necessita do mesmo, sabendo que este apoio os pode ajudar a superar a sua doença física pelas vias referidas acima. Para todas as situações em que a pessoa pudesse depender de si própria, sem procurar ajuda médica, tu podes providenciar apoio espiritual. Em qualquer situação que causasse numa pessoa ordinária, prudente a necessidade de procurar ajuda médica, é tua responsabilidade legal aconselhar a pessoa afetada a procurar ajuda de um médico, sendo que obviamente podes providenciar o apoio espiritual antes, durante e depois do tratamento convencional.

Estes pontos devem ser cuidadosamente estudados e mentidos na tua mente à medida que prossegues os teus estudos na Ordem Moderna dos Essénios. Pedimos que estejas consciente que, se quebrares a regra explicada acima, e disseres ser capaz de diagnosticar, tratar ou prescrever para uma condição médica, sem ter o direito legalmente reconhecido para o fazeres em virtude de uma outra forma de treino ou certificação, seres membro da Ordem não te vai ajudar a evitar processos legais.

5 minutos para falar dos Valores

Quando era mais novo, os valores eram uma coisa que me assustava. Uma coisa para a qual, lá esta, não via valor nenhum. Via-os como sendo limitantes, castradores. Como imposições que se iam atravessar entre mim e a minha espontaneidade. Como regras cegas que me iam tornar menos tolerante. E, sem saber, tinha essa visão em mim por ter internalizado os valores mais na moda da sociedade: Liberdade, Tolerância, Poder pessoal, Espontaneidade, Autenticidade. Portanto, o problema não eram os valores em si, era olhar para eles como sendo algo que se contrapunha aos valores (inconscientes) que já tinha.

Para tornar o assunto mais complicado, os únicos valores que conhecia para além dos que tinha internalizado eram os do Cristianismo. E a ideia de me comportar de determinada forma porque alguém escreveu que Deus assim tinha dito fazia-me uma coceira tremenda. No fundo, o que estava a acontecer era simples. A ideia de obedecer a um conjunto de valores impostos por quem quer que fosse punha o meu valor interno de Liberdade a eriçar o pelo e a bufar por todos os lados.

Demorou anos até a minha relação com os valores amadurecer. Até me aperceber de quão valiosos eles são. E houve dois momentos fundamentais no aprofundamento da minha relação com eles que quero partilhar contigo.

Limites e imposição vs sugestão

O primeiro foi perceber a importância dos limites. A casca de um ovo limita o pintainho, mas sem a casca, ele não se ia desenvolver. As margens limitam o rio, mas sem elas a água limitava-se a alagar tudo, a apodrecer num pântano. A firmeza do chão impede que eu me afunde e permite-me erguer-me de pé. Longe de serem os vilões que castram e impedem a expressão do potencial de cada um, que anulam quem somos e limitam o nosso potencial, eles na verdade têm o papel oposto. Eles dão-nos forma, delimitam-nos e permitem-nos ser algo em concreto, em vez de uma quantidade de potencial por realizar.

O segundo momento foi quando percebi que os valores na espiritualidade, ou na filosofia são encarados de uma forma totalmente diferente do que na religião. Na religião dizem que “faz assim porque Deus disse e se não fazes como ele manda vais para o castigo eterno”. Já na espiritualidade e na filosofia a mensagem é “se queres uma vida com esta forma, estes são os limites a adotar.” Deixei de ver os valores como a rolha que impedia o meu potencial de brotar para os ver como sendo as margens que me permitem manter o rio da vida num certo sentido.

Nessa relação com os valores, revelou-se uma camada mais funda. Eles permitem-se ser maior do que sou. As minhas decisões do dia a dia já não estão escravas dos caprichos da minha vontade no momento, nem com os meus condicionamentos sociais, ou deformações internas devido a traumas. Passam a ser regidas por um conjunto de normas adotados num momento de maior consciência e equilíbrio, refinados por gerações e gerações de gente que os adotou para ter uma vida melhor. Ter valor desses cria dentro de mim um chão sólido onde me posso erguer, que posso usar para ser maior do que a minha própria pequenez.

Como escolher um sistema de valores?

Os diferentes sistemas de valores não são uns melhores do que os outros. Aliás, como eles são aquilo que usamos para definir o que é bom e o que é mau, estão para além desse tipo de classificação. Eles são um veículo que nos leva a um certo tipo de vida. E, tal como quando entro num comboio a escolha é baseada no destino para onde ele me leva, e não no quão modernos são os estofos, ao escolher os meus valores o foco deve ser no tipo de vida que eles constroem, e não no quão na voga eles estão.

Nas próximas públicações, vou analisar e partilhar um sistema de valores muito antigo: os Yamas e Niyamas, valores de Yoga. Esse sistema de valores leva a vida pessoal e em comunidade para a paz e harmonia e ajuda-nos a ultrapassar a confusão interna entre quem somos e os conteúdos da nossa mente.

Até lá!

Outros artigos nesta série:

  • 5 minutos para falar dos Valores

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Movimento Animal

Nesta série de posts, vamos falar de uma série de rotinas ancestrais que nos levam de regresso à Natureza. Nasceram de uma busca da resposta à pergunta “como é que certas culturas mantêm viva a conexão à natureza de uma geração para a outra?”. Se quiseres saber mais sobre este tópico, e ver todos os posts da série, clica aqui.

Neurónios espelho e empatia

Já alguma vez deste por ti a sorrir só porque alguém sorriu para ti? Ou a fazer um esgar de dor quando vês alguém cair? Isto acontece por causa dos neurónios espelho.

Eles são um conjunto de neurónios que recriam dentro de nós aquilo que se está a passar à nossa volta, especialmente a nível de movimentos e sons. É dos primeiros sistemas a ativar-se nos bebés — 72h depois de nascerem eles já respondem aos sorrisos de quem os rodeia sorrindo.

Estes neurónios permitem-nos sentir o que as pessoas à nossa volta sentem. São fundamentais para a aprendizagem, para a comunicação e para a empatia. É graças a eles que nos conseguimos pôr no lugar do outro.

E como nascemos muito prematuros — uma girafa começa a anda uma hora depois de nascer, nós demoramos uns 9 meses — este sistema que nos permite sentir e imitar quem nos rodeia é fundamental para o nosso desenvolvimento.

É um sistema que continua ativo durante toda a nossa vida e que se vai desenvolvendo à medida que aprendemos a fazer novas coisas. Eu notei de forma clara quando aprendi a dançar que ver espetáculos de dança se tornou completamente diferente — já não era só uma coisa bonita, mas conseguia sentir no meu corpo a dificuldade dos movimentos, a coordenação. Isto acontecia graças aos meus neurónios espelho, que se tinham desenvolvido mais para aquela atividade.

É como se o sistema se alimentasse a si mesmo. Com os neurónios espelhos aprendemos a imitar, e quando imitamos os músculos desenvolvem-se de uma forma que nos permite sentir ainda melhor o que se passa do outro lado.

E não é só pessoas que imitamos. Com o poder dos neurónios espelho, conseguimos também imitar outras coisas — como animais.

O poder da imaginação

Antes de entrarmos no porquê imitar animais, temos que falar sobre a imaginação.

Ao contrário do que possas pensar, vives num mundo imaginário. O universo lá fora chega até ti pelos sentidos. Os sentidos mandam informação para o cérebro. O cérebro pega nessa informação e organiza-a, de acordo com a sua linguagem e a sua história e cria um reflexo do mundo muito próprio.

Temos uma janela clara para este processo quando acordamos num quarto que nos é estranho. De repente não há nada, depois há formas, e só passado algum tempo é que essas formas se organizam em objectos que reconhecemos.

Mas, o nosso viver num mundo imaginário vai mais longe — o nosso corpo muda de acordo com essa imaginação. Há vários estudos que mostram que apenas imaginar que se faz exercício leva a um aumento da massa muscular (embora não tanto como fazer exercício!)

Então, isto significa que mesmo que algo não seja real no mundo lá fora, o nosso corpo consegue responder como se fosse esse o caso. Nós como adultos somos levados a descartar o poder da imaginação. Mas para podermos trabalhar com formas animais precisamos de o voltar a acolher.

De todas as rotinas, esta é a que mais se assemelha a um jogo. Claro que não te vais transformar magicamente num gato ou num lobo. Mas se ativares os teus neurónios espelho olhando para a forma como eles se movem (na vida real ou num video) e te deixares levar pela imaginação, vais-te surpreender até onde isso te pode levar.

Os animais enquanto mentores

Nas nossas fábulas, tal como nos contos indígenas antigos, os animais aparecem muitas vezes como mentores. A astúcia da raposa. A coragem do leão. A resistência do boi. É como se os diferentes animais tivessem diferentes lições para nos dar.

No xamanismo trabalha-se com animais de poder, animais que têm as características que precisamos em nós. Em certas linhas de druidismo faz-se o inverso, e os animais com os quais se trabalha têm os vicios que precisamos de ultrapassar.

Como é que seria ter os olhos de uma águia e conseguir ver as situações onde estamos desde cima? Ou se levássemos a alegria e espontaneidade dos cães para as nossas relações?

Brincar com formas animais é uma das maneiras que temos de conhecer e experienciar no nosso corpo estas características que os animais têm para nos ensinar.

Como fazer formas animais?

Para um bom trabalho com formas animais precisamos da ajuda dos nossos neurónios espelho, da nossa imaginação e do nosso corpo.

  • Ativar os neurónios espelho: Escolhe o animal que queres imitar, e vai vê-lo na vida real. Se isso não for possível, espreita no youtube videos sobre ele. Como é que se move? Como é que caça? Como é que se esconde? Coloca a atenção no teu corpo enquanto o observas. Como é que reages?
  • Ativar a imaginação: Fecha os olhos e sente o teu corpo. Imagina que te cresce pelo ou escamas, que os teus membros, a tua face mudam. Como se a energia do animal se espalhasse à tua volta, e te envolvesse. Não tens mãos nem pés, tens patas. Já não tens a tua voz, tens a voz do animal. Os teus olhos vêm como ele, o teu nariz fica curioso com os cheiros que lhe chamam a atenção. E depois, move-te. Mexe-te como ele se mexe, e vê o que te acontece. Pode ajudar colocar sons do meio ambiente em que ele vive, para imaginares também que estás na savana, ou na selva, ou onde for normal para o teu animal andar

Dois jogos de formas animais

Passos de raposa — As raposas andam silenciosas. Duplamente escondidas, para não serem vistas nem pelas suas presas, nem pelos seres humanos que à séculos que as caçam. Eis como vais fazer para andar como uma raposa:

  • Começa por deixar a tua visão expandir-se até à visão periférica. Queres conseguir ver o mundo todo para não seres apanhado de surpresa
  • Anda, de preferência descalça, colocando primeiro a ponta do pé no chão. Como se o testasses para ver se aguenta o teu peso e se não faz sons. Depois, apoia o bordo externo do pé e continua a apoiar até chegares ao calcanhar
  • À medida que andas, procura manter a cabeça sempre ao mesmo nível. Se estiveres com a visão periférica ativa vais ver que baloiçar a cabeça para cima e para baixo a cada passo traz mais distrações do que mantê-la ao mesmo nível.

Gato na cidade — Os gatos vivem na fronteira entre o civilizado e o selvagem. Podemos ver como se movem ao vivo e perceber que vivem num mundo diferente do nosso.

  • Versão A — És uma pessoa presa num corpo de gato, e queres passar despercebido. Coloca as quatro patas no chão, e move-te como se fosses um gato. Imagina que vem um outro gato na tua direção, como respondes? Como interages com o mundo?
  • Versão B — És um gato no corpo de uma pessoa, e queres passar despercebido. Como fazes? Como agiria um gato na tua pele? O que é que é fácil e difícil?
  • Versão C — És um gato no corpo de uma pessoa, e é a melhor coisa de sempre! Enquanto gato, como é que vais aproveitar este novo corpo? Que coisas podes fazer com ele que normalmente te estavam vedadas? Como levar ao máximo a tua gatês neste corpo?

Como estes jogos, há infindáveis outros, deixa que a tua imaginação te leve para lá dos teus próprios limites!

Seguir Pistas e pegadas

Nesta série de posts, vamos falar de uma série de rotinas ancestrais que nos levam de regresso à Natureza. Nasceram de uma busca da resposta à pergunta “como é que certas culturas mantêm viva a conexão à natureza de uma geração para a outra?”. Se quiseres saber mais sobre este tópico, e ver todos os posts da série, clica aqui

Amigos invisíveis

Dos momentos mais marcantes que tive na minha jornada de conexão, foi quando voltei dos Estados Unidos em Dezembro. Lá, a floresta está tão viva que é difícil descrever em palavras. Há musgo a crescer pelas árvores acima, e por entre elas vivem ursos, onças e veados. Há pássaros que nos seguem. Há cepos de árvores centenários, que servem de berço à nova floresta. Há imensos arbustos de bagas. E o solo é profundo, fresco. Cheio de matéria orgânica, com um cheiro a vida impressionante.

Quando voltei para cá, a falta de vida no pinhal/eucaliptal que rodeia a minha casa chocou-me. Mexeu comigo, fez-me perguntar porquê. Porquê de termos dado cabo de tudo para ficarmos com algo tão pobre em troca?

Perturbou-me o estado de destruição a que tínhamos chegado e o quão “normal” ele era.

E estava eu a andar pelo pinhal, envolto nestes pensamentos, quando me deparo com uma pegada estranha no chão. Não era como as de cães nem dos gatos. Além de ter cinco dedos, tinha garras demasiado grandes. Era como uma pegada de urso, mas pequena.

Ver aquela pegada atirou-me para fora da espiral mental em que estava. Afinal ainda havia vida no pinhal. Escondida, discreta, mas lá. Não era que o pinhal fosse totalmente desprovido de vida, eu é que antes não tinha olhos para a ver.

Na natureza à nossa volta, os mamíferos aprenderam a esconder-se. Tiveram que o fazer. Mas se souberes onde procurar as suas pegadas e como as interpretar, podes descobrir que temos amigos invisíveis mesmo ao nosso lado.

Ir para além das aparências

Ler pegadas e sinais é muito parecido com ser detetive. Temos que pegar em pistas e com elas criar uma história, perceber o que se passou. Para isto, há dois passos principais:

  • Ir para o local do acontecimento
  • Fazer as perguntas certas

Se souberes fazer isto, vais começar a descobrir por onde andam os amigos invisíveis em teu redor.

Ir para o local do acontecimento

O primeiro passo é encontrar umas pegadas, ou outros sinais de animais. Para teres mais probabilidades de as encontrar tens que ter em conta:

Substrato (chão) — Para as pegadas, queres ter um sítio com o chão mole e, se possível, protegido da erosão. Os meus sítios preferidos são debaixo de pontes. Lá a chuva não chega e a água do rio que desce e sobre vai renovando a lama por onde os animais passam. Também depois das chuvas, quando tudo está enlameado é uma excelente altura para encontrar pegadas. E a praia, ou caminhos com areia também são bons sítios.

Interesse para o animal — Água, comida, companhia, abrigo. Os animais têm necessidades parecidas com as nossas. Precisam de chegar desde onde vivem a sítios onde haja comida e água. É mais fácil encontrar pegadas e outros sinais deles nos sítios onde têm os recursos de que precisam para viver.

Comportamentos específicos — As raposas gostam de deixar cocós nos meio dos caminhos. Os veados raspam a casca das árvores com as suas hastes. As corujas regurgitam os pelos e ossos dos animais que comem. Quando começas a conhecer um animal, começas também a conhecer os seus comportamentos. E começas a ficar com um olho atento para os sítio onde esperas encontrar sinais deles.

Fazer as perguntas certas.

Ok, encontraste a tua pegada ou outro sinal do animal. E agora?

Agora, é o momento de fazer as perguntas que te ajudem a montar uma história com base no que estás a ver. Para isso, as perguntas são fundamentais. Estas são as perguntas base que queres fazer:

Quem? — É grande ou pequeno? Leve ou pesado? Anda com quatro patas ou com duas? Era só um ou muitos? Conseguimos ter uma boa ideia de quem deixa as pegadas e sinais nos sítios por onde andamos. Mesmo sem saber o animal específico, dá para criar uma ideia da sua forma. E quando estiveres pronto, podes levar esta busca mais longe e com o auxilio de um guia de campo (ou da internet) descobrir exatamente quem foi que deixou aquela pegada.

O que? — O que é que este animal estava a fazer? Para onde ia? De onde vinha? Depressa ou devagar? Será que há comida cá perto? Ou algum predador? O que se passou aqui?

Quando? — Ontem? Hoje? Será que há gotas de chuva na lama, mas a pegada está lisa? A forma dela é bem definida, ou já começou a ser levada pelo vento? Quando é que o animal aqui passou? Será que ainda o consigo encontrar, ou que já foi à demasiado tempo? A que horas é que ele costuma andar por cá, para lhe fazer uma espera? Onde é que ele estará agora?

Onde? — Como é o espaço envolvente? Porque é que o animal passou por aqui? Como é que este sítio se enquadra no espaço maior?

Porquê? — Porque é que o animal estava aqui? Porque é que ele passou neste sítio, àquela hora? Porque é que se estava a mexer tão depressa ou tão devagar?

Como? — Como é que ele fez esta marca? Qual foi o comportamento? Esta pergunta pode não ser tão interessante para pegadas, mas para arranhadelas, raspadelas, ou outros sinais torna-se fundamental.

Com estas perguntas, um conjunto de marcas aleatórias no chão passam a ser uma história. O pequeno urso era um texugo, que saia da sua toca do monte ao raiar do dia, para descer até às zonas húmidas junto do rio a ver se encontrava algum petisco. E quando conhecemos essas histórias, o mundo enche-se de vida. E nós fazemos amigos com o invisível

Seguir pistas para lá da floresta

O tipo de pensamento que se cria quando seguimos pistas pode ser levado para lá das poças de lama, dos caminhos do pinhal. Esta curiosidade, estas perguntas podem ser levados para dentro. Para os nossos comportamentos. Para os nossos relacionamentos.

A arte de criar histórias com base no que vemos pode permitir-nos ir muito mais fundo na nossa relação com o outro e com o nosso interior. Se eu fizer as seis perguntas a mim mesmo quando tenho um ataque de raiva, ou quando tenho a mesma discussão pela milésima vez com a minha companheira, talvez algo novo venha ao de cima. Talvez aquela pegada se converta numa história e essa história se mova para um novo episódio.

Um caminho Espiritual

Os lábios da sabedoria estão fechados, a  não ser para os ouvidos da compreensão

O Kyblaion

Saber escolher

No mercado da espiritualidade, cada um vai tentar vender-te o seu caminho. Vão-te chamar a atenção com uma variação da seguinte promessa: “se vieres por este caminho e fizeres esta prática, vais deixar de sofrer”. A forma como embalam este dizer varia muito e é comum que depois de teres comprado e entrado no caminho descubras que as coisas são mais complexas do que parecem.

Uma chamada de atenção aqui. Com certeza já viste um programa de cozinha, daqueles em que os concorrentes competem para fazer o prato mais delicioso, certo? E tens consciência que não consegues avaliar o quão bom ou mau um prato é através do ecrã, não é?

Com os caminhos espirituais passa-se algo parecido. Só quem faz o caminho, é que está apto a falar dos resultados obtidos (com a obvia margem para o senso comum; não tens que entrar no culto suicida para te aperceberes que não queres aquilo para ti). Isto tanto invalida as palavras descrentes do investigador que escreveu o artigo da Wikipedia, como as daquele amigo que foi a um retiro de fim de semana e veio de lá convencido que trás no bolso a chave do céu. Nenhum deles “provou” devidamente o prato. Se estás a pensar entrar num caminho espiritual, vai ouvir — ao vivo, no youtube, num livro — alguém que realmente o percorreu e chegou até à terra prometida desse caminho.

E uma segunda chamada de atenção. Saltitar de caminho em caminho é um bocadinho como ir aprender umas palavras de espanhol, depois outras tantas de polaco, daí passar para o árabe, e daí em diante. É importante e útil passar por esta variedade no inicio, para perceber com qual via te identificas. Mas se quiseres fazer realmente progresso nalguma delas, aí tens que te focar. Se não, podes fazer mil e um retiros, palestras e sessões, mas sem chegares a lado nenhum. Se escolheres um caminho espiritual decente, ele há de ser completo em si mesmo. Percorre-o com determinação.

Mais uma vez, o espaço para o senso comum mantém-se. Se até estavas a gostar no início, mas a família e os amigos começam a chamar-te a atenção que estás a ficar esquisito (o que não é necessariamente mau, tendo em conta o que é considerado por normal nos dias de hoje), ou se começas a discordar das práticas ou da conduta, então nada te impede de largar esse caminho e de encontrares outro.

Saber olhar para os caminhos

No caminho espiritual vão sempre oferecer-te:

Uma visão — aquelas respostas sobre o que é realmente o universo, do porquê de estarmos aqui, e todas essas coisa

Um Objetivo — Normalmente, a sua versão da “Iluminação”, aquilo que um adepto deste caminho pode esperar

Métodos — Um conjunto de práticas, nascidos da visão, que te levam em direção ao objetivo.

Por exemplo, no mundo do yoga temos tradições que vêm o mundo como sendo real, e outras como sendo uma ilusão. Embora ambas tenham como objetivo a fusão com o divino, para as primeiras isto pode ser feito através dos sentidos, enquanto para as segundas os sentidos são um empecilho nesse caminho.

São três perguntas boas para fazer a quem te está a vender esse caminho que consideras seguir:

            Qual é a sua visão sobre o mundo/Deus/o ser humano.

            Qual é o objetivo deste caminho?

            Com que métodos se faz o caminho na direção do objetivo.

No próximo capítulo do nosso guia, vamos ver quais alguns pontos em comum dos vários caminhos espirituais, para te ajudar na tua decisão!

História do dia

Nesta série de posts, vamos falar de uma série de rotinas ancestrais que nos levam de regresso à Natureza. Nasceram de uma busca da resposta à pergunta “como é que certas culturas mantêm viva a conexão à natureza de uma geração para a outra?”. Se quiseres saber mais sobre este tópico, e ver todos os posts da série, clica aqui

Um ritmo natural

A história do dia é o resultado normal do poisar e estar nos sentidos. Depois de vivermos alguma coisa de forma realmente presente, vem a vontade de falar sobre ela.

Num meio tribal esta partilha de histórias é fundamental. Por onde andam as manadas? Quem descobriu uma zona com bagas boas para comer? Partilhar histórias, cumpria uma função de sobrevivência, além da função social.

Aliás, é comum dizer-se que o ser humano difere dos outros animais pela sua capacidade de contar histórias.

Neste ritmo de experiência/partilha há uma expansão durante o dia, quando se sai e vai para o mundo. E depois um recolhimento à noite, em que se partilham as histórias e se recolhem as lições do dia que passou

Recordar permite conectar

Quando falamos de algo que aconteceu, criamos uma ligação mais profunda com isso. Provavelmente já vos aconteceu estares a falar de um problema, ou de uma vivência e de repente faz-se uma luz, abre-se uma nova visão sobre as coisas.

Quando partilhamos e recordamos algo, somos capazes de criar novas ligações e até de encontrar coisas que anteriormente não estavam lá.

Quando vamos buscar uma memória para contar uma história, estamos a dar ao nosso cérebro sinal de que aquela vivência foi importante. E à medida que recordamos e voltamos a viver, a nossa ligação a essa vivência fica mais forte.

O poder das perguntas

Ao partilhar uma história, há também outra coisa que acontece. Quem nos está a ouvir vai ter um ponto de vista diferente do nosso. Vai ter curiosidade sobre facetas da experiência que talvez a nós.

Então, se a nossa atenção for como um foco que ilumina parte do que vivemos, quando partilhamos uma história e escutamos as perguntas de quem nos ouve, então é como se entrasse uma segunda lanterna em cena, que nos leva a ver coisas novas.

Muitas vezes, é graças às perguntas que nos apercebemos das quantidade de coisas que não conhecemos. Ou de que estávamos a ter uma perspetiva injusta sobre algo.

Como integrar a rotina da história do dia?

Para os bushman do deserto Kalahari, possivelmente a tribo de caçador-coletores mais antiga do mundo, a história do dia é uma vivência natural. Uma criança que regresse das suas explorações vai ter pelo menos cerca de 30 adultos interessados no que ela tem para contar.

Além disso, esses adultos conhecem o meio natural com tal detalhe que lhe vão fazer as perguntas certas para o ajudar a criar ligações mais fortes com o meio.

Cá no ocidente, é um bocadinho menos fácil, mas também é possível. Há duas forma de o fazer e elas podem trabalhar de forma complementar. Caso optes só por uma, dá preferência à primeira.

Opção 1

  1. Convence alguém a ouvir-te.
  2. Explica-lhe que precisas de duas coisas dessa pessoa:
    1. Que escute atentamente
    2. Que faça perguntas sobre o que não entende ou a deixa curiosa
  3. Passa a partilhar com essa pessoa as tuas vivências na natureza

Este alguém tem que ser capaz de ouvir. Eu tenho descoberto que gente mas velha, que ainda tem memórias de viver no campo têm imenso conhecimento, e não só me fazem boas perguntas, como também me ajudam com as coisas que eu não sei.

Podes mesmo explicar a essa pessoa que estás a fazer um trabalho de ligação à Natureza, e que um dos exercícios é contar as histórias do que vivencias e que alguém te faça perguntas sobre isso.

A opção 2 é adequada se fores um ermita, ou se não tiveres ninguém com quem te sintas confortável a falar.

Opção 2

  1. Escolhe um sítio para escreveres as tuas experiências
  2. Escreve lá a tua história
  3. Depois de a escreveres, escreve por baixo as perguntas que tenhas sobre o que viveste.

Para ambos os casos, ajuda ter uma hora fixa para contar a história. E se não quiseres tirar muito tempo à pessoa que te ouve, podes sempre tirar umas notas no caderno todos os dias e falar com a pessoa só no final de uma semana de vivências.

Do que falar na história do dia?

Aqui estamos a focar a conexão na natureza, mas a história do dia também é uma excelente ferramenta de conexão ao outro. Sabemos isto de modo instintivo — todos os pais perguntam aos filhos como correu o seu dia.

Em relação à conexão à natureza, nós recomendamos que fales de:

Coisas que te viste/ouviste/cheiraste, tanto no teu poiso, como no dia a dia.

  • Coisas estranhas que os pássaros andem a fazer
  • Sons de pássaros novos
  • Pegadas, trilhos e cocós de animais
  • Diferenças que notes na vegetação
  • Flores que estejam a abrir
  • A forma como a terra responde à chuva
  • Como é que o teu poiso muda conforme a hora do dia a que lá vais?

Coisas que sentiste

  • Como foi ver a primeira flor da primavera?
  • Qual a sensação de ir ao poiso ainda antes do sol nascer?
  • Os pássaros quando cantam alguma vez parecem falar contigo?
  • Como é que o teu corpo se sente quanto te sentas e fazes a meditação dos sentidos?
  • Há memórias que estejam a vir ter contigo?
  • Há sentimentos que venham ao de cima?

E muito importante para que isto funcione, é que enquanto tu falas, a outra pessoa escute a tua história até ao fim. Mais tarde, ela pode partilhar as suas próprias histórias, mas enquanto tu estiveres a falar, o foco dela é ouvir-te. Pode interromper-te, mas apenas com perguntas, ou com sons de encorajamento.

O poiso e a história do dia são como as duas asas que te vão levar no caminho da conexão. Pode parecer que contar a tua história não é importante. Mas não acredites na voz que te diz isso. Esse sentimento é só um espelho de quanto perdemos as nossas ligações enquanto sociedade. Tem a coragem de encontrar alguém para te ouvir e de te deixar descobrir onde é que isso te leva.

Perigos do caminho espiritual

Sei que tinha dito que íamos olhar para os vários caminhos, mas ainda não é esta semana! Antes de começarmos essa descoberta, temos que perceber quais os perigos que podem estar à nossa espera. Desta vez não temos uma pequena história de introdução. Deixo-vos apenas com as palavras do Sr. Bruno Aleixo, que ele provavelmente diria ao olhar para certas coisas que acontecem a quem se põe a andar pelo caminho espiritual fora:

Ca burro.

Perigos no caminho?

Um dos meus professores fala de como é importante apresentar os perigos às pessoas que convidamos a nossa casa. Pode ser algo tão simples como “A água dessa torneira não é boa para beber” a algo como “Atenção que há um ninho de vespa asiática aqui ao pé”. Ter esses alertas permite-nos descontrair, afinal, já sabemos as coisas a que temos que ter atenção. Já fizemos isto em relação às pessoas que nos rodeiam, e está na altura de fazer isto em relação a nós mesmos. Isto porque, se o caminho espiritual realmente funciona, vai sem dúvida ter os seus perigos.

Ao longo da exposição vou-te pedir que me faças um favor. Imagina que chegar ao mundo espiritual é como chegar a um mercado, a um antigo bazar árabe. Não sabes a ingua, não tens a certeza se te estão a enganar ou não. Só sabes que tens que estar antento. Venham então, conhecer os perigos que podes encontrar:

Excesso de Informação: O primeiro perigo é tal e qual num mercado dos outros. É gente a gritar, é cores e cheiros e sons. Mas aqui é segredos da origem do universo, símbolos sagrados, mantras do poder. Tal como no mercado, a forma de lidar com isto é ignorar tudo o que não te interessa. O símbolo mais poderoso do mundo, fora da sua tradição não serve para nada. Por isso relaxa.

Não tens que aceitar ou refutar nada do que te dizem. Muitas vezes o que acontece é estares a ouvir linguagens diferentes para falar da mesma coisa (por exemplo, o prana/chi/energia universal é tudo a tua energia vital). A dica é escolher uma linhagem, e aprender o que ela tem para te ensinar, sem ficar assoberbado por tudo o que as outras linhagens têm para te dizer.

Inflação do Ego: Logo a seguir a escolher uma linhagem, ou a entrar no mercado, vem (para muito boa gente) aquele momento de revelação — não só estás no caminho espiritual, como estás no caminho certo! Só pode significar que és um queridinho de Deus. E o ego incha, incha, incha.

Se estás no teu caminho, ótimo. Isso não te torna nem melhor nem pior do que a pessoa do lado. Estás só no teu percurso pessoal, que como foi feito para ti é inútil para julgar os outros. Não deixes que o percurso espiritual te torne numa versão pior de ti mesmo.

Bypass Espiritual — Este é um problema tão comum, que até arranjaram um nome para ele na psicologia (e meio em inglês e tudo, vê lá tu). Basicamente é o que acontece quando te sussurram ao ouvido que o mundo é uma ilusão e tu deixas de pagar a conta da luz. Ou te falam do glorioso destino do universo, e tu decides que és demasiado importante para tratares da tua relação com os teus pais.

O caminho espiritual tem que se refletir na tua conduta enquanto ser humano. No teu crescimento enquanto pessoa. Por muito real ou irreal que este mundo seja, é aqui que estás, e é do lado de cá que vais crescer, e não nas fantasias da tua mente.

Cultos e Gurus — Se tiveres pouca sorte, vais encontrar gente que se vai tentar aproveitar de ti. Sinais de alerta são sítios onde se faça culto à personalidade, onde sintas que te isolam da tua rede de apoio social, ou até mesmo de outras visões na mesma linha. Gurus que exijam obediência, ou que te façam sentir menor por não seres tão amplamente iluminado também são para ser levados com cautela.

O fundamental é perceberes que és sempre tu quem é responsável pela tua vida e pelas tuas escolhas. Ninguém tem o monopólio da verdade, e se sentes que não estás bem onde estás, há muitos outros caminhos por onde ir.

Fritar a pipoca — É só um risco se realmente te colocares a fazer trabalho muito mais sério do que o esperado se estás só a chegar. No entanto, há casos bastantes por aí. Duas coisas que podes fazer para isto não te acontecer. A primeira é trabalhar com um professor vivo que te vá acompanhando. A segunda é não misturar sistemas que façam trabalho energético/mágico.

Cegos bem-intencionados — Um cego não pode guiar outro cego. Um retiro de fim de semana com alguém cuja formação foi um retiro de fim de semana até pode ser giro, mas não te vai levar muito longe. Na altura de escolheres alguém para te ensinar, queres alguém quer realmente saiba do que está a falar, que já tenha experienciado os estados de consciência que o caminho promete.

É bom ter um grupo de apoio ou de pares com quem possas discutir o que estás a aprender. Mas para guiar tem mesmo que ser alguém que saiba o que está a fazer. É fácil interpretar mal os ensinamentos, fazer mal os exercícios, e sair do caminho em direção à luz para ir dar uma volta para outro lao qualquer.

Para a semana que vem, se tudo correr conforme o esperado, vamos então começar a falar de caminhos a seguir! Até lá