Perigos do caminho espiritual

Sei que tinha dito que íamos olhar para os vários caminhos, mas ainda não é esta semana! Antes de começarmos essa descoberta, temos que perceber quais os perigos que podem estar à nossa espera. Desta vez não temos uma pequena história de introdução. Deixo-vos apenas com as palavras do Sr. Bruno Aleixo, que ele provavelmente diria ao olhar para certas coisas que acontecem a quem se põe a andar pelo caminho espiritual fora:

Ca burro.

Perigos no caminho?

Um dos meus professores fala de como é importante apresentar os perigos às pessoas que convidamos a nossa casa. Pode ser algo tão simples como “A água dessa torneira não é boa para beber” a algo como “Atenção que há um ninho de vespa asiática aqui ao pé”. Ter esses alertas permite-nos descontrair, afinal, já sabemos as coisas a que temos que ter atenção. Já fizemos isto em relação às pessoas que nos rodeiam, e está na altura de fazer isto em relação a nós mesmos. Isto porque, se o caminho espiritual realmente funciona, vai sem dúvida ter os seus perigos.

Ao longo da exposição vou-te pedir que me faças um favor. Imagina que chegar ao mundo espiritual é como chegar a um mercado, a um antigo bazar árabe. Não sabes a ingua, não tens a certeza se te estão a enganar ou não. Só sabes que tens que estar antento. Venham então, conhecer os perigos que podes encontrar:

Excesso de Informação: O primeiro perigo é tal e qual num mercado dos outros. É gente a gritar, é cores e cheiros e sons. Mas aqui é segredos da origem do universo, símbolos sagrados, mantras do poder. Tal como no mercado, a forma de lidar com isto é ignorar tudo o que não te interessa. O símbolo mais poderoso do mundo, fora da sua tradição não serve para nada. Por isso relaxa.

Não tens que aceitar ou refutar nada do que te dizem. Muitas vezes o que acontece é estares a ouvir linguagens diferentes para falar da mesma coisa (por exemplo, o prana/chi/energia universal é tudo a tua energia vital). A dica é escolher uma linhagem, e aprender o que ela tem para te ensinar, sem ficar assoberbado por tudo o que as outras linhagens têm para te dizer.

Inflação do Ego: Logo a seguir a escolher uma linhagem, ou a entrar no mercado, vem (para muito boa gente) aquele momento de revelação — não só estás no caminho espiritual, como estás no caminho certo! Só pode significar que és um queridinho de Deus. E o ego incha, incha, incha.

Se estás no teu caminho, ótimo. Isso não te torna nem melhor nem pior do que a pessoa do lado. Estás só no teu percurso pessoal, que como foi feito para ti é inútil para julgar os outros. Não deixes que o percurso espiritual te torne numa versão pior de ti mesmo.

Bypass Espiritual — Este é um problema tão comum, que até arranjaram um nome para ele na psicologia (e meio em inglês e tudo, vê lá tu). Basicamente é o que acontece quando te sussurram ao ouvido que o mundo é uma ilusão e tu deixas de pagar a conta da luz. Ou te falam do glorioso destino do universo, e tu decides que és demasiado importante para tratares da tua relação com os teus pais.

O caminho espiritual tem que se refletir na tua conduta enquanto ser humano. No teu crescimento enquanto pessoa. Por muito real ou irreal que este mundo seja, é aqui que estás, e é do lado de cá que vais crescer, e não nas fantasias da tua mente.

Cultos e Gurus — Se tiveres pouca sorte, vais encontrar gente que se vai tentar aproveitar de ti. Sinais de alerta são sítios onde se faça culto à personalidade, onde sintas que te isolam da tua rede de apoio social, ou até mesmo de outras visões na mesma linha. Gurus que exijam obediência, ou que te façam sentir menor por não seres tão amplamente iluminado também são para ser levados com cautela.

O fundamental é perceberes que és sempre tu quem é responsável pela tua vida e pelas tuas escolhas. Ninguém tem o monopólio da verdade, e se sentes que não estás bem onde estás, há muitos outros caminhos por onde ir.

Fritar a pipoca — É só um risco se realmente te colocares a fazer trabalho muito mais sério do que o esperado se estás só a chegar. No entanto, há casos bastantes por aí. Duas coisas que podes fazer para isto não te acontecer. A primeira é trabalhar com um professor vivo que te vá acompanhando. A segunda é não misturar sistemas que façam trabalho energético/mágico.

Cegos bem-intencionados — Um cego não pode guiar outro cego. Um retiro de fim de semana com alguém cuja formação foi um retiro de fim de semana até pode ser giro, mas não te vai levar muito longe. Na altura de escolheres alguém para te ensinar, queres alguém quer realmente saiba do que está a falar, que já tenha experienciado os estados de consciência que o caminho promete.

É bom ter um grupo de apoio ou de pares com quem possas discutir o que estás a aprender. Mas para guiar tem mesmo que ser alguém que saiba o que está a fazer. É fácil interpretar mal os ensinamentos, fazer mal os exercícios, e sair do caminho em direção à luz para ir dar uma volta para outro lao qualquer.

Para a semana que vem, se tudo correr conforme o esperado, vamos então começar a falar de caminhos a seguir! Até lá

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